“De acordo com as projeções nacionais e internacionais, a evolução demográfica e a exposição a fatores de risco determinarão um aumento da incidência de doenças oncológicas. Por outro lado e graças a múltiplos fatores, a sobrevivência tem vindo a aumentar, (…) O incremento do número de doentes que acedem aos serviços de saúde trazem, por sua vez, uma série de desafios para a organização dos mesmos e para a prestação de cuidados de saúde em oncologia de qualidade.” (Liga Portuguesa Contra o Cancro, 2016)
FISIOTERAPIA EM ONCOLOGIA
Os vários tratamentos oncológicos podem levar a alterações estruturais e funcionais, limitando a funcionalidade dos sobreviventes. Assim, a intervenção em oncologia na sua globalidade vai muito além do tratamento do cancro em si: é importante devolver a qualidade de vida ao sobrevivente de cancro, para que possa vivenciar o seu dia-a-dia sem limitações. A fisioterapia em oncologia actua em várias áreas, tais como:
- prevenção e tratamento do edema (inchaço) dos vários segmentos corporais (cabeça e pescoço, membros superiores, membros inferiores, tronco)
- melhoria da funcionalidade do(s) membro(s) afectado(s)
- diminuição da dor, desconforto e alterações da sensibilidade
- tratamento da cicatriz cirúrgica
- tratamento de incontinência urinária/fecal e disfunções sexuais consequentes das terapias oncológicas
Fisioterapia no cancro da mama
A intervenção da fisioterapia na reabilitação da mulher com cancro da mama está bem fundamentada em várias guidelines internacionais, justificando-se essencialmente através de quatro razões clínicas: 1 – o risco de disfunção do quadrante superior (devido ás consequências das várias terapias oncológicas, tais como: dor, alterações da sensibilidade, diminuição da força, alterações cutâneas, neuropatia), 2 – o imperativo radioterápico (a posição de tratamento da radioterapia obriga a que a utente seja capaz de fazer movimentos de grande amplitude com o braço do lado afectado), 3 – a prevenção/tratamento do linfedema e de infecções cutâneas, e 4 – a relação fisioterapeuta/utente, que ajuda a minimizar o efeito psicológico do diagnóstico e tratamento da doença oncológica. Assim, o tratamento incide nos seguintes aspectos:
- melhoria da mobilidade, força e funcionalidade do membro superior afectado
- diminuição da dor, desconforto e alterações da sensibilidade
- tratamento da cicatriz cirúrgica
- melhoria da mobilidade da prótese mamária
- prevenção/tratamento do edema (inchaço) e de infecções cutâneas
- tratamento da incontinência urinária/fecal e/ou disfunções sexuais consequentes das terapias oncológicas
TRATAMENTO FÍSICO DO EDEMA
O edema (inchaço) dos vários segmentos corporais (cabeça e pescoço, membros superiores, membros inferiores, tronco) é um dos efeitos secundários possívels da terapia oncológica, ocorrendo meses ou até mesmo anos depois de procedimentos como o esvaziamento ganglionar ou a biópsia do gânglio sentinela. O tratamento inclui várias abordagens, tais como:
- tratamento do edema através da terapia linfática descongestiva (drenagem linfática manual): método Leduc
- aplicação de bandas multicamadas
- aplicação de bandas neuromusculares (kinesio tape)
- preparação para a utilização de mangas ou meias compressivas